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Segunda-feira, Outubro 13, 2003
´Uma alma consciente de que È amada, e que por sua vez n„o ama, denuncia o seu Ìntimo, porque vem ‡ superfÌcie o que nela h· de mais baixoª
Friederichh Nietzsche
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Pela hostilidade n„o programada de alguns momentos mal vividos, uma plantinha.
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Quarta-feira, Julho 16, 2003
Aqui jaz
Todas as dispersas provocaÁıes do tipo borbolÈtico e que, dada nossa finitude, estamos fadados a n„o conhecer. Por essa raz„o, sofremos com as rupturas de relacionamentos que consideramos importantes. Porque dentre todos os amores possÌveis e especiais, escolhemos aquele que n„o nos escolheu tambÈm. A dor n„o È a de quem perde a esperanÁa, de quem n„o acredita mais na possibilidade de borboletas outra vez. A dor È sim a de quem, entregue por completo, encontra-se obrigado a recomeÁar para seguir vivendo.
Por razıes temporais, n„o houve atÈ hoje um dia sequer em que n„o tivesse lamentado por mim, por ele, por tudo o que houve. Dias de f˙ria, dias de c„o. Dias de l·grimas, dias de c„o. E cada vez sei menos sobre o que sinto de verdade. Nos piores dias especulava a respeito de como era ter amado e sentido saudade. Mas, imagino eu, a melancolia tenha se perdido entre a f˙ria e as l·grimas e os dias de c„o.
Ao retornar aos escritos, n„o encontrei a minha dor. Somente as promessas que acabei por cumprir. As birras que jurava seriam resolvidas em dois ou trÍs episÛdios, incÛlumes na pasta de itens enviados. Mas eu ter afirmado sobre nunca mais outra mordida descabida, isso se cumpriu. Pelo que quer que fosse, eu agora reafirmava minhas promessas e n„o para ameaÁ·-lo, mas apenas para proteger-me de mim mesma.
Na porta de entrada o aviso remetia aos loucos de Herman Hesse. A diferenÁa È que este se tratava de um pensamento com direito a nuvem e tudo: go away! Ao menos, antes e cada vez que entrasse no quarto, n„o repetiria o erro de carreg·-lo para os passeios onÌricos, nem para as reflexıes musicadas, nem para qualquer espaÁo vazio interno ou externo.
Reunir numa sÛ caixa de devoluÁ„o tudo o que materialmente era, da mesma forma, tormento parecia uma idÈia fabulosa embora ainda n„o tivesse completado a tarefa. O jacarÈ e dois outros livros corriam sÈrios riscos de permanecer intactos na prateleira. Por razıes Ûbvias. Uma delas era a comodidade, a outra apego material mesmo.
No meu ˙ltimo registro escrito e pessoal apontei: veio ‡ cidade, liguei duas vezes, desisti de procur·-lo e ele jamais retornou as ligaÁıes. Por sorte ou infelicidade parece que nos livramos para sempre da presenÁa pacÌfica de ambos, simultaneamente. Estamos condenados ao n„o convÌvio ou finalmente livres dele. E È assim que esta histÛria parece terminar.
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Quando a memÛria se faz sonho e vice-versa
Esquecer que se viveu pensando que se sonhou.
Sonhar acreditando que se viveu e recordar como realizaÁ„o
Assim È quando penso em vocÍ.
Sonho e recordo.
E o que ser· sonho? E o que ser· memÛria?
Faz bem sonhar, incorporar memÛrias que nunca existiram.
Ou recordar o que foi bom como sonho antigo, delÌrio do nosso subconsciente.
Na verdade, os humanos precisam acreditar em certas coisas. DaÌ os sonhos parecerem t„o reais.
Da mesma forma, eles precisam pensar que algumas de suas memÛrias n„o passam de... sonhos, dada a dificuldade que tÍm de lidar com a grandiosidade de fatos que consideram incompreensÌveis.
Os humanos carregam para o mundo onÌrico, onde tudo È possÌvel, todas as coisas que n„o conseguem explicar. E, de l·, trazem aquilo que os motiva, como uma esperanÁa, da qual jamais escapariam vivos de si prÛprios se n„o a tivessem.
VocÍ È um sonho. … minha esperanÁa.
E atÈ que eu te veja de novo, vocÍ continuar· sendo essa doce recordaÁ„o
que alimento com cartas, telefonemas e... sonhos.
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Terça-feira, Maio 13, 2003
O relacionamento entre Kafka e Milena passa por v·rias etapas. No inÌcio È o tratamento um tanto cerimonioso entre o autor e a sua tradutora, depois vem a fase da paix„o e ardente amor. PorÈm, com o tempo, o sentimento de Milena torna-se para Kafka uma carga psÌquica cada vez mais pesada e sufocante. Milena se sacrificava, se entregava, porÈm, tambÈm exigia muito. O seu dinamismo aumentava na personalidade passiva de Kafka uma apreens„o, seguida de ang˙stia e medo. Nesta ang˙stia, neste medo naufragou o amor dos dois.
No inÌcio de 1923, Kafka, todo cismado, indaga: ìPor que, Milena, vocÍ fala do nosso futuro que n„o acontecer· nunca, ou ser· por isso que vocÍ me fala dele?î E, finalmente, no cart„o postal enviado de Dobrichovice (pequena vila perto de Praga), com carimbo de 9 de maio de 1923, Franz implora: ìPor favor, n„o nos escrevamos mais.î Bohumila Ara˙jo ñ A TARDE ñ Cultural ñ 10/05/03
Porque no son locos nuestros anti hÈroes
Les falta amor. AsÌ es con Franz Kafka, mi "Marujo" y Harry de Herman Hesse.
No son locos. SÛlo les falta amor.
Ser·n intelectuales, inteligentes, articulados, tendr·n dinero y algunos amigos, tendr·n incluso muchas mujeres. Pero les falta amor.
Ser·n interesantes y no tan bonitos, pero les falta algo.
Est·n muertos porque perdieron el alma, la espirituosidad, si es que algun dia la tuvieron.
Ni siquiera se dan cuenta de que la perdieron porque les falta alma, espirituosidad, amor para darse cuenta de eso.
Y tampoco es que no la extraÒen. Ah... sÌ, la extraÒan. No saben lo quÈ es, pero saben que no lo tienen.
Es como llevar ambiciones sin sentimiento.
No se puede conseguir la realizaciÛn del haber logrado lo que se buscaba.
Los l˙cidos, inteligentes, articulados, interesantes anti heroes de nuestras historias consiguen lo que ambicionan pero no se realizan. Les falta algo. Y lo que les falta, es lo mismo que consideran temeroso y es muy normal que terminen alejando de sÌ mismos todo lo que ellos no tienen.
Al miedo, por otro lado, lo llevan todo el tiempo.
Se bastan solos pero, todo lo que no saben, es que lo que les hace falta est· en el "otro". Y si el "otro" lo ama, se acabÛ. Est· anunciado el fin. Porque no puede ser que una persona tenga tanto amor por otra que ni siquiera se ha dejado experimentarlo.
Porque para el amor basta dejarse ser. Es muy f·cil. En controlarlo - que no llegue, que no sea, que no te emocione - lo pierdes y te matas.
Sigues visible y a˙n, vacio. La gente te ve pero no sos. Te falta algo. Te falta dejarte ser. Te falta coraje.
Nuestros anti hÈroes no son locos. Solo les falta amor.
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Sexta-feira, Novembro 22, 2002
O saber
A combinaÁ„o de algumas palavras no inÌcio de uma frase bastava para temer o que, j· se sabia, vinha logo depois. A express„o da discÛrdia. Ent„o para que compartilhar? Na verdade, sempre tinha a esperanÁa de que dentre todas as pessoas, houvesse um caso ainda n„o perdido. Um ˙nico ente que pudesse ser contemplado uma vez revelada sua capacidade de compreens„o. ImpossÌvel ver no rosto de qualquer sujeito sua sensatez. DaÌ porque se arriscava a dizer o que pensava. E o fazia pela simples necessidade de compartilhar.
Somente no instante aterrador da discÛrdia reprovativa È que reconhecia o fracasso da interlocuÁ„o e somava, a todas as outras experiÍncias desgostosas anteriores, a mais recente. Esta t„o insulsa quanto as demais e renovadora da decepÁ„o insustent·vel. Nesse instante, revigorava a pena pelos demais, todos muito certos das fronteiras que tinham para si como os limites seguros para a verdade. N„o sabiam eles que a prÛpria possibilidade de superaÁ„o das margens era quase a melhor sensaÁ„o j· conhecida.
PorÈm, entendia-os nas suas circunscriÁıes. Cada um lia-se ‡s prÛprias regras ou adere ‡s disseminadas por falta de criatividade e vive, de certa forma, bem. Ainda assim, olhava-os do alto de uma montanha de presunÁ„o e pensava que pobres criaturas eram t„o menos felizes do que poderiam ou mereciam. Mas n„o ousava convencÍ-los da idÈia refutada e detia-se em apenas ponderar e moderar, reprimindo a si e somente a si. A covardia provinha do receio de confundir, enlouquecer ou indignar os pobrezinhos. NinguÈm faria o mesmo, impugnando-se para deixar que o outro seguisse com seus pensamentos. Com a certeza de sua modÈstia e depois de ouvir aquelas primeiras insinuaÁıes de contrariedade, nada mais valia a pena ser ouvido verdadeiramente. O que valia mesmo, era o que sabia para si.
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Segunda-feira, Outubro 21, 2002
Manuscritos para o remetente
Escrever cartas sem previs„o da data de envio era o erro grave que cometia com satisfaÁ„o.
Sabia do problema delas envelhecerem perdendo o destinat·rio no tempo.
N„o se incomodava. Porque tinha encontrado a forma de preservar seus pensamentos.
O medo de que, estes sim, fossem datados rendia alguns devaneios.
Temia esquecer de pensar como hoje, de simplesmente n„o saber mais da raz„o pela qual tivera planejado tanto enviar as cartas.
Ainda as tinha sobre a mesa, circulando pelo espaÁo desordenado conforme passavam os dias.
Sempre com a idÈia de colocar algo mais dentro do envelope, adiava receosa de um dia dar-se por vencida e, por fim, atirar a carta ao lixo.
Acrescentou duas fotos, calculou o peso com as m„os e reservou.
Na quarta, acrescentaria outras trÍs e quem sabe, na quinta, n„o escapasse atÈ o correio.
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Sexta-feira, Outubro 04, 2002
Acessos de e para
A cama ainda por fazer È um portal.
Primeiro vi um barco, logo o carro e, por ˙ltimo, o avi„o.
Depois n„o vi mais nada. Agora n„o vejo nada.
Porque ver alguÈm partir È como dar um pontapÈ numa porta e em seguida tranc·-la de s˙bito.
Abrir e fechar.
E nunca sabemos, ao certo, se o manter-se aberto È um ato de coragem ou uma fraqueza de espÌrito.
Se o manter-se fechado È um ato de forÁa ou um endurecimento nocivo.
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Segunda-feira, Setembro 30, 2002
Tiny
N„o teve jeito. Foi que nem perfume borrifado ao alto. Em pouco tempo, todos os espaÁos estavam tomados. Ia buscar um livro, achava um papel recortado com suas anotaÁıes. Ia sentar pra trabalhar, uma pilha de trilhas sonoras ‡ frente pedindo pra ser ouvida. Ia deitar, um jacarÈ simp·tico tentava dominar a prateleira acima. Ia dar uma volta, encontrava seus amigos. Ia comer alguma coisa, terminava no lugar preferido da ˙ltima semana. Ia escolher um vestido, corria a m„o pelo azul. Ia vestir uma camiseta, Mafalda ainda cheirava sua presenÁa. E se ligasse pra sua casa, tava l· ele atendendo na secret·ria eletrÙnica
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Das teorias comunicacionais
Quando eu mensagem, eu meio, eu modo.
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